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Uso clínico do teste de HPV por Captura Híbrida
Dúvidas frequentes
1. Quais as indicações do teste de Captura Híbrida para HPV?
- Triagem de pacientes com resultado citológico de ASC-US
- Rastreamento de lesões precursoras do câncer de colo do útero em mulheres com 30 anos ou mais, associado ao Papanicolaou
- Discordância colpo, cito e histopatológica
- Acompanhamento pós-tratamento
2. Quais os tipos de HPV pesquisados pelo método de Captura Híbrida?
Os tipos de HPV pesquisados são divididos em dois grupos de acordo com seu potencial oncogênico:
- Grupo de Baixo Risco: tipos virais: 6, 11, 42, 43 e 44
- Grupo de Alto Risco: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 52, 52, 56, 58, 59, 68
No contexto de prevenção do câncer de colo do útero, recomenda-se somente a pesquisa do grupo de Alto Risco. A pesquisa do grupo de Baixo Risco não acrescenta dados relevantes à conduta clínica. |
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3. Por que associar o teste de HPV de alto risco ao Papanicolaou no rastreamento das lesões precursoras do câncer de colo do útero para mulheres com mais de 30 anos?
Em mulheres com mais de 30 anos, a presença de HPV tem maior probabilidade de refletir infecção persistente, o que aumenta o valor preditivo positivo do teste de HPV. Nessas pacientes, a associação do teste de HPV ao Papanicolaou confere as seguintes vantagens:
- Aumenta em cerca de 30% a sensibilidade de detecção de NIC 2 1,2.
- Indica risco futuro de desenvolvimento de lesão pré-neoplásica. Mulheres com mais de 30 anos e infecção persistente por HPV de alto risco (mais de 3 anos) têm um risco 300 vezes maior de desenvolver lesão de alto grau do que mulheres HPV negativas3. Cerca de 1 em 5 mulheres com HPV persistente, detectado pela Captura Híbrida, irá desenvolver lesão de alto grau em um prazo de 3 anos4.
- Maior segurança para pacientes negativas para ambos os testes e aumento do intervalo entre os exames. O risco de não ter sido detectada uma lesão pré-neoplásica é baixíssimo, pois o valor preditivo para ambos os testes é de quase 100%5. Mulheres com ambos os testes negativos podem repetir os exames a cada 3 anos.
4. Qual a importância do teste de HPV de alto risco na triagem de pacientes com resultado citológico de ASC-US em qualquer idade?
- Aumento da sensibilidade de detecção de NIC 2/36
- Alto valor preditivo negativo
- Menor desconforto e ansiedade para a paciente
5. Os valores de RLU/PC têm valor prognóstico de desenvolvimento de lesão de alto grau e câncer de colo do útero?
A longo prazo (entre 9 meses a 10 anos), os valores de RLU/PC não estão relacionados com o risco de progressão, devendo-se considerar, portanto, a presença de infecção persistente por HPV de alto risco como o principal fator de risco para desenvolvimento de neoplasia.
6. Para o teste de HPV por Captura Híbrida® é necessário colher amostras de colo, vagina e vulva em tubetes separados?
Não. No contexto de prevenção do câncer do colo do útero a indicação é coleta de amostra de escovado da cérvice uterina (endo e ectocervical). Considera-se a infecção por HPV uma DST que atinge o trato genital inferior como um todo, sendo a Captura Híbrida® utilizada para confirmar a infecção e determinar a presença de tipos virais do grupo de alto risco oncogênico. Segundo dados do IPOG, quando a coleta é realizada em três tubetes separados (colo, vagina e vulva) há concordância de resultados na maior parte dos casos.
7. Qual a vantagem do teste de HPV por Captura Híbrida®?
O teste de HPV por Captura Híbrida® é um método clinicamente validado com estudos em aproximadamente 1.000.000 de mulheres em todo o mundo. É um método aprovado para uso clínico pelo FDA e pelo Ministério da Saúde no Brasil. Seus resultados possuem correlação clínica quanto ao risco de desenvolvimento de lesão pré-cancerosa, sendo recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelas principais associações médicas americanas como a American Cancer Society, Amercian Society for Colposcopy and Cervical Pathology eoutras.
8. Mesmo com a vacinação contra o HPV ainda será necessária a realização de exames preventivos?
Sim. As vacinas disponíveis até o momento conferem proteção aos dois principais tipos virais relacionados ao câncer do colo do útero (HPV 16 e 18), responsáveis por cerca de 70% dos casos. Como existem outros tipos virais que estão relacionados com o desenvolvimento da doença e contra os quais não há proteção pela vacina, o rastreamento com exame de Papanicolaou deve continuar.
9. Com que freqüência deve-se realizar o exame?
Após os 30 anos, pode-se realizar o exame de DNA-HPV para rastreamento primário do câncer de colo do útero associado ao exame citológico (Papanicolaou). As pacientes com citologia e HPV negativas podem realizar novo exame após três anos. Em pacientes HIV positivas, o exame talvez deva ser realizado com maior freqüência, em intervalos de tempo mais curtos.
Referências:
- Clavel C., et al. Human Papillomavirus Testing in Primary Screening for the Detection of High–Grade Cervical Lesions: A Study of 7932 Women. Brit J Cancer, 2001; 89 (12):1616–1623
- Cuzick, J. et al. Management of women who test positive for high–risk types of human papillomavirus: the HART study. The Lancet 2003;362:1871–76.
- Bory J., et al. Recurrent Human Papillomavirus Infection Detected with the Hybrid Capture 2 Assay Selects Women with Normal Cervical Smears at Risk for Developing High Grade Cervical Lesions: A Longitudinal Study of 3,091 Women. Int. J. Cancer, 2002;102:519–525.
- Lorincz, A., Richart, R. Human Papillomavirus DNA Testing As An Adjunct To Cytology In Cervical Screening Programs. APLM 2003;127:959–968.
- Sherman M.E., et al. Human Papillomavirus Testing, and Risk for Cervical Neoplasia: A 10–Year Cohort Analysis. Journal of the National Cancer Institute, 2003;95:46–52.
- Solomon D., et al. Comparison of Three Management Strategies for Patients with Atypical Squamous Cells of Undetermined Significance: Baseline Results from a Randomized Trial, J. Nat Cancer Inst, 2001; 93:293-299


