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Clamídia e Gonococos
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Clamídia e Gonococos

A Clamídia e Gonorréia são doenças sexualmente transmissíveis que apresentam uma alta incidência em todo o mundo. Enquanto no homem a infecção geralmente provoca sintomas desconfortáveis, levando-os logo a procurar por um serviço médico, entre as mulheres é comum a ausência de sintomas.

Em muitos casos, a infecção nas mulheres só é detectada tardiamente quando já ocorreu o comprometimento do trato genital superior, levando a complicações como a Doença Inflamatória Pélvica e a Infertilidade.

Por esta razão, é de grande importância a realização de exames diagnósticos de rotina principalmente em pacientes jovens, mesmo que não tenham nenhum sintoma.

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Clamídia

As manifestações clínicas produzidas pela infecção por Chlamydia trachomatis são determinadas pelo mecanismo de transmissão e pela propriedade da cepa infectante. Existem 15 sorotipos dessa bactéria. A tabela abaixo mostra a relação entre os sorotipos, o sexo acometido e as doenças causadas:

Sorotipos

Sexo

Doença

A, B, Ba, C

Ambos

Tracoma, conjuntivite

D, E, F, G,
H, I, J, K

Mulher

Uretrite, cervicite, endometrite,
salpingite, doença inflamatória pélvica.

Homem

Uretrite, prostatite, epididimite.

Ambos
Recém-nascidos

Conjuntivite, proctite, síndrome de Reiter, pneumonia

L1, L2, L3

Ambos

Linfogranuloma venéreo


A infecção por Chlamydia trachomatis é a doença sexualmente transmissível de maior prevalência no mundo, 90 milhões de casos anuais. A infecção é mais comum entre mulheres jovens sexualmente ativas na faixa etária entre 20-25 anos. Cerca de uma em cada vinte mulheres com menos de 25 anos pode estar infectada.

No trato genital, a infecção está associada à cervicite e uretrite, podendo ter como sintomas corrimento, sangramento e ardor ao urinar. Entretanto, na maioria dos casos, não apresenta nenhum sintoma que permita seu diagnóstico. A persistência da infecção pode evoluir para endometrite, salpingite, doença inflamatória pélvica, linfogranuloma venéreo e a Síndrome de Reiter. Durante a gravidez, pode provocar o parto prematuro e no momento do parto, a mãe pode transmitir a infecção para o recém-nascido, causando conjuntivite e pneumonia. A clamídia é considerada a principal causa de infertilidade em mulheres .

O exame de rotina para Clamídia pode ser recomendado nos seguintes casos:

  • exame pré-natal, antes do término da gravidez

  • jovens com menos de 25 anos, especialmente adolescentes sexualmente ativas

  • sangramento após o ato sexual ou entre os períodos menstruais

  • em mulheres com mais de 25 anos quando houver um novo parceiro sexual ou múltiplos parceiros, e relação sexual sem uso de preservativo

A prevenção é baseada no uso do preservativo em todas as relações sexuais e a infecção pode ser tratada com o uso de antibióticos. 


Gonorréia

A gonorréia é uma doença sexualmente transmissível comum em várias partes do mundo principalmente em países subdesenvolvidos. Seu agente etiológico, a Neisseria gonorrhoeae, caracteriza-se por ser um diplococo gram negativo, imóvel, catalase e oxidase positivos.

No homem, a infecção é em geral sintomática, na forma de uretrite aguda, podendo evoluir para prostatite, epididimite e abscesso  peri-uretral. Na mulher, a infecção é assintomática em 80% dos casos, sendo a cervicite mucopurulenta o sintoma mais freqüente. Até 20% das mulheres evoluem para doença inflamatória pélvica crônica com endometrite, salpingite, abscessos tubo-ovarianos e peritonite. Pode ocorrer também a infecção congênita, com a transmissão do gonococo durante o parto, sendo a conjuntiva o local mais afetado.  As complicações sistêmicas envolvem as artrites e dermatites e em casos mais raros, meningite osteomielite e endocardite.    

De acordo com o guia de rastreamento da US Preventive Task Force publicado em Maio de 2005, recomenda-se o rastreamento de rotina para gonococos em mulheres jovens com menos de 25 anos, inclusive adolescentes sexualmente ativas, mulheres com história de infecção prévia por gonococos ou outras DSTs, com um novo parceiro ou múltiplos parceiros sexuais que não fazem uso constante do preservativo e usuárias de drogas.

Para prevenir a infecção, deve-se usar preservativo em todas as relações sexuais e o tratamento é feito com o uso de antibióticos.

 

Instituto de Pesquisa em Oncologia Ginecológica