Uso Clínico do teste de HPV por Captura Híbrida
1. Quais as indicações do teste de Captura Híbrida para HPV?
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Diagnóstico de Infecção Sexualmente Transmitida por HPV tipos 6, 11, 16, 18, 31, 33, 35, 39, 42, 43, 44, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68
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Resultado citológico de ASCUS e AGUS
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Rastreamento do câncer cervical em mulheres com mais de 30 anos, associado ao Papanicolaou
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Discordância colpo, cito e histopatológica
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Acompanhamento pós tratamento
2. Quais os tipos de HPV pesquisado pelo método de Captura Híbrida?
A Captura Híbrida pesquisa os 18 tipos de HPV de maior relevância clínica, responsáveis por 90% das verrugas genitais e 99% dos casos de câncer cervical
Os tipos de HPV pesquisados são divididos em dois grupos de acordo com seu potencial oncogênico:
Grupo A ou de baixo risco: tipos virais: 6, 11, 42, 43 e 44. Estão relacionados com o condiloma e lesão de baixo grau
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Grupo B ou de alto risco: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68. Estão relacionados com lesão de baixo e alto grau e câncer invasivo.
3. Quais informações o laudo traz?
O laudo de Captura Híbrida traz três importantes informações: presença ou ausência de DNA/HPV, Tipos Virais (Grupo A= Baixo Risco e/ou Grupo B= Intermediário/Alto Risco) e medida semi-quantitativa da carga viral encontrada na amostra (valores das relações RLU/PCA e RLU/PCB). O resultado será positivo quando o valor for maior ou igual a 1.
4. Por que associar o teste de HPV de alto risco ao Papanicolaou no rastreamento do câncer cervical para mulheres com mais de 30 anos?
Em mulheres com mais de 30 anos, a presença de HPV tem maior probabilidade de refletir persistência, o que aumenta o valor preditivo positivo do teste de HPV. Nessas pacientes, a associação do teste de HPV ao Papanicolaou confere as seguintes vantagens:
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Aumenta em cerca de 30% a sensibilidade de detecção de NIC 2. A citologia isolada tem baixa sensibildade, em torno de 58% (11-98%) 1 , e sua eficácia depende da periodicidade e do intervalo entre as coletas. Cerca de 25% dos casos de câncer de colo de útero são diagnosticados em mulheres que são regularmente examinadas pelo exame citológico (a cada 3 anos) 2 . Com a associação do teste de HPV ao Papanicolaou a sensibilidade de detecção de NIC 2 é ≥ 96% 3 4.
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Indica risco futuro de desenvolvimento de lesão pré-neoplásica. Mulheres com mais de 30 anos e infecção persistente por HPV de alto risco (mais de 3 anos) tem um risco 300 vezes maior de desenvolver lesão de alto grau do que mulheres HPV negativas 5. Cerca de 1 em 5 mulheres com HPV persistente, detectado pela Captura Híbrida, irão desenvolver lesão de alto grau em um prazo de 3 anos 6.
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Maior segurança para pacientes negativas para ambos os testes e aumento do intervalo entre os exames. O risco de não ter sido detectada uma lesão pré-neoplásica é baixíssimo, pois o valor preditivo para ambos os testes é de quase 100% 7. Mulheres com ambos os testes negativos podem repetir os exames a cada 3 anos.
5. Qual a importância do teste de HPV de alto risco na triagem de pacientes com resultado citológico de ASCUS em qualquer idade?
Aumento da sensibilidade de detecção de NIC 2.O acompanhamento com repetição da citologia apresenta sensibilidade de detecção de NIC 2,3 relativamente baixa (67-85%), enquanto que com o teste de HPV de alto risco, a sensibilidade é de 96%.
Alto valor preditivo negativo. As pacientes negativas para o teste de HPV podem retornar ao protocolo de rastreamento normal com intervalo de um ano até a próximo exame ,enquanto que as pacientes acompanhadas pela citologia devem ter pelo menos dois resultados consecutivos negativos em intervalos de 4 a 6 meses.
Menor desconforto e ansiedade para o paciente. Com o teste de HPV de alto risco é possível triar as pacientes que devem ser encaminhadas para a colposcopia com um menor número de visitas e exames.
6.Por que realizar somente a pesquisa de HPV grupo de alto risco oncogênico para rastreamento do câncer cervical?
Porque somente os tipos de HPV do grupo de intermediário/alto risco estão relacionados com o desenvolvimento de lesão de alto grau e câncer. A Captura Híbrida® para HPV de alto risco pesquisa os 13 principais tipos de HPV relacionados ao câncer cervical e responsáveis por cerca de 99% dos casos.
7.Com que freqüência deve-se realizar o exame?
Após os 30 anos, pode-se realizar o exame de DNA-HPV para rastreamento primário do câncer cervical associado ao exame citológico (Papanicolaou). As pacientes com citologia e HPV negativas podem realizar novo exame após três anos. Isso porque a possibilidade de nova infecção é de 0,5% ao ano, como demonstra a literatura. Em pacientes HIV positivas, o exame talvez deva ser realizado com maior freqüência, em intervalos de tempo mais curtos.
8. Os valores de RLU/PC têm valor prognóstico de desenvolvimento de lesão de alto grau e câncer cervical?
Os valores elevados de RLU/PC estão relacionados com a incidência de anormalidades citológicas, ou seja, em média pacientes com NIC apresentam valores de RLU/PC maiores que aquelas com citologia normal. Já a correlação entre os valores de RLU/PC e o risco futuro de progressão da doença ainda não está devidamente esclarecida. Em um estudo com mais de 20.000 mulheres, observou-se que a curto prazo (até 9 meses), quanto maior o valor de RLU/PC, maior também o risco de progressão da doença, sendo que valores baixos de RLU/PC, entre 1 a 10, não excluem o risco de progressão. A longo prazo (entre 9 meses a 10 anos), os valores de RLU/PC parecem não estar relacionados com o risco de progressão, devendo-se considerar, portanto, a presença de infecção persistente por HPV de alto risco como o principal fator de risco para desenvolvimento de lesão de alto grau.
9. Como pode-se classificar a carga viral em relação ao HPV?
Valores de RLU/PC entre : 1 e 10: carga viral baixa
10 e 100: carga viral intermediária
100 e 1000: carga viral alta
maior que 1000: carga viral muito alta
10. Para o teste de HPV por Captura Híbrida é necessário colher amostras de colo, vagina e vulva em tubetes separados?
Não. Alguns autores indicam apenas a coleta cervical e outros uma coleta mais ampla de colo, vagina e vulva no mesmo tubete. Isso porque, considera-se a infecção por HPV uma DST que atinge o trato genital inferior como um todo, sendo a Captura Híbrida® utilizada para confirmar a infecção e determinar a presença ou ausência de tipos virais do grupo de baixo e alto risco oncogênico. Já as lesões HPV induzidas, no entanto, devem ser devidamente localizadas e identificadas, sendo, para este fim, utilizados outros métodos como a Colposcopia e o exame Histopatológico das lesões. Segundo dados do IPOG, quando a coleta é realizada em três tubetes separados (colo, vagina e vulva) houve concordância de resultados na maior parte dos casos. Em 517 casos, observamos 295 casos (57%) de resultados negativos para os três locais de coleta. Dentre as 222 pacientes (43%) com HPV, houve concordância entre os resultados para os três locais de coleta em 162 casos (73%).
11. Qual a diferença entre a pesquisa de HPV por Captura Híbrida e por PCR?
Embora a técnica de PCR apresente alta sensibilidade seu uso é recomendado para a pesquisa e não para uso clínico. A Captura Híbrida, no entanto, é um método aprovado para uso clínico pelo FDA e pelo ministério da saúde no Brasil. Existem trabalhos publicados com mais de 40.000 mulheres comprovando sua eficácia e a sua reprodutibilidade interlaboratorial, cerca de 98%. Seus resultados possuem correlação clínica, sendo recomendado pela Organização Mundial da Saúde e pelas principais associações médicas americanas como a American Cancer Society, Amercian Society for Colposcopy and Cervical Pathology e outras.
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