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Rastreamento do câncer cervical e
o uso da Captura Híbrida® Revisão: Dr.
Sérgio Mancini Nicolau Pesquisa:
Silvia Tieko Yano Introdução Segundo
dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), estima-se que no Brasil o câncer
do colo do útero seja o terceiro mais comum na população feminina,
sendo superado somente pelo câncer de pele, não melanoma, e pelo de
mama. Este tipo de câncer representa 10% de todos os tumores malignos em
mulheres estando diretamente vinculado ao grau de subdesenvolvimento do país
(1). Ainda
de acordo com dados absolutos sobre a incidência e mortalidade por câncer
do INCA, o câncer do colo do útero foi responsável pela morte de 3.953
mulheres no Brasil no ano de 2000. Para 2003, as estimativas sobre incidência
e mortalidade por câncer prevêem 16.480 novos casos e 4.110 óbitos (1).
Apesar
dos avanços conquistados na área médica, os exames preventivos
continuam sendo a melhor forma de controle do câncer cervical. Nos EUA,
segundo a American Cancer Society
(ACS), houve uma redução de 70% da mortalidade por câncer do colo do útero
nos últimos 50 anos, após a introdução do teste de Papanicolaou,
sendo atualmente o 13.º tipo de câncer que mais mata mulheres nos
Estados Unidos (2). Citologia
Cervical O
sucesso do Papanicolaou no
rastreamento do câncer cervical levou a uma expectativa irreal de que o
teste é perfeito, porém, sua sensibilidade na detecção da neoplasia
intra-epitelial cervical de alto grau (CIN II/III) está na faixa de 70 a
80% (3). Na detecção de casos histologicamente comprovados de lesão
intra-epitelial escamosa de alto grau (HGSIL) foi encontrada uma
sensibilidade semelhante, de 68,1% (4). Isso por diversas razões como:
tamanho reduzido da lesão, lesão em local inacessível, material
proveniente da lesão não coletado, presença de poucas células anormais
na lâmina e presença de inflamação e/ou sangue impedindo a visualização,
diferença de interpretação da leitura entre observadores (2), ou seja,
porque a citologia depende totalmente da qualidade da amostra e da
colheita. Entre
1990 e 1995, mais de 90.000 citologias tiveram que ser reavaliadas após a
morte de oito mulheres por erros na interpretação dos testes no Kent
and Canterbury Hospital, no Reino Unido (5). Tendências
atuais Após
inúmeras pesquisas e publicações, ficou comprovada a relação entre o
HPV e o câncer cervical, concluiu-se que a detecção deste vírus é de
vital importância no combate desse tipo de câncer. Nesse âmbito, em
1995, a Captura Híbrida® I foi aprovada pelo FDA (Food
and Drugs Administration) para uso no rastreamento de ASCUS, nos EUA
e, também em 1995, pelo Ministério da Saúde para diagnóstico clínico
do HPV, no Brasil. Pesquisadores
do mundo todo passaram a estudar qual a melhor forma de rastreamento do
HPV através dos testes de detecção do vírus, avaliando-se o melhor
custo-benefício entre as possibilidades existentes.
Em
1999, já com a Captura Híbrida® II aprovada pelo FDA, foi
feito um estudo que envolveu 2988 mulheres com 35 anos ou mais, associando
o teste de DNA-HPV à citologia convencional e se concluiu que a combinação
dos testes poderia oferecer uma grande proteção e/ou aumento no
intervalo de screening, diminuindo os custos dos programas de rastreamento (6).
Esta e outras pesquisas consideraram a Captura Híbrida® como
promissora no rastreamento primário do câncer cervical (7,8,9). Outros
estudos demonstraram a eficácia superior da Captura Híbrida®
em identificar as pacientes com lesões precursoras do câncer cervical,
em relação à colposcopia ou à citologia convencional. Entre tantas
pesquisas importantes, deve-se destacar o ALTS
Study Group (10), em 2001, que comprovou definitivamente, a utilidade
do teste de DNA-HPV em casos de alterações celulares no Papanicolaou
do tipo ASCUS (atipias de células escamosas de significado
indeterminado), dando suporte
para que o comitê de especialistas do FDA recomendasse, em 2002, o uso do
teste para rastreamento primário do câncer cervical associado à
citologia, em mulheres com 30 anos ou mais. A recomendação foi de
encontro ao que já vinha sendo preconizado e discutido no mundo todo,
pelos melhores especialistas no assunto. Da mesma maneira, observou-se que
o teste de DNA-HPV de Alto Risco é útil, também, na detecção de casos
de CIN em grupos com LSIL (lesão intra-epitelial escamosa de baixo grau)
e na seleção de pacientes a serem encaminhados para colposcopia nos
grupos com ASCUS (10,11,12). Em
2002, resultados de estudos sugeriram que aproximadamente 15% das mulheres
com Papanicolaou negativo,
mas HPV positivas, terão alteração na citologia dentro dos próximos
cinco anos, mostrando a importância de se adicionar o teste de DNA-HPV
nos programas de rastreamento primário (9). Ainda no mesmo ano, a ACS
divulgou suas diretrizes para rastreamento do câncer cervical,
recomendando o uso do teste de DNA-HPV de Alto Risco associado à
citologia ( com intervalos de 3 anos, no caso de ambos os testes
negativos), para rastreamento primário em mulheres com 30 anos ou mais,
caso haja aprovação do FDA para este uso. A ACS recomenda ainda, a
realização somente do teste para tipos virais de alto risco, pois a
pesquisa dos tipos de baixo risco, além de não possuir utilidade clínica,
pode causar um impacto psicológico negativo na paciente (2). Avanços
em 2003 Em
abril de 2003, alguns meses após a divulgação da ACS, o FDA aprovou a
utilização do teste de Captura Híbrida® para HPV associado
à citologia para rastreamento primário do câncer cervical em mulheres
com 30 anos ou mais(13). Em julho de 2003, a ACOG (The
American College of Obstetricians and Gynecologists) fez a mesma
recomendação nas suas diretrizes (14). Duas
grandes pesquisas, uma na Alemanha e outra no México, que envolveram
quase 10.000 mulheres cada uma, mostraram que a associação do teste de
DNA-HPV com a citologia tem quase 100% de sensibilidade, com
especificidade levemente menor que a citologia isolada, não restando dúvidas
em relação aos benefícios da associação das duas técnicas
(15,16,17). Recentemente,
os primeiros seguros-saúde nos Estados Unidos, passaram a cobrir o
rastreamento primário do câncer cervical em mulheres com 30 anos ou
mais, utilizando o teste de DNA-HPV associado ao Papanicolaou, nos moldes
indicados pelo FDA (18). Já no Reino Unido está em andamento, um
programa de rastreamento do NHS cervical screening programme que irá
direcionar toda a citologia convencional para a citologia em base líquida,
dentro dos próximos 5 anos, com o intuito de minimizar as amostras
inadequadas e o número de falsos-negativos, possibilitando aumentar,
futuramente, o intervalo de rastreamento (19). Referências: (1)
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HPV 2004 - Esta edição traz o resumo de algumas das principais pesquisas apresentadas na 21.a. Conferência Internacional sobre o Papilomavírus Humano, com os comentários do Dr. Sérgio Nicolau. Custo-benefício do teste de DNA-HPV para rastreamento do câncer cervical em mulheres com 30 anos ou mais. POBASCAM - Population Based Screening Study Amsterdam - Estudo para implementação do teste de HPV de Alto Risco no rastreamento do câncer cervical, baseado em dados de 44.102 mulheres, durante os próximos 5 anos. DNA-PAP agora é o método rotineiro na Columbia University para melhor proteger as mulheres contra o câncer cervical. Comparison of Manual and Automated Methods of Liquid-Based Cytology: A Morphologic Study. Seroanalysis of Chlamydia trachomatis and S-TORCH agents in women with recurrent spontaneous abortions. "Dúvidas e Respostas quanto à pesquisa de HPV por Captura Híbrida" Citologia cervical e teste de DNA-HPV no noroeste europeu (Flandres) Guia para o uso do teste de DNA-HPV associado à citologia no rastreamento do câncer cervical Prevalence of reproductive tract infections, genital prolapse, and obesity in a rural community in Lebanon Analysis of 174 cases with cervical cancer in women under 35 years old Risk factors for squamous intraepithelial lesions (SIL) of the cervix among women resinding at the US-Mexico border Desenvolvimento e lançamento de novas vacinas "Rastreamento do câncer cervical e o uso da Captura Híbrida" - artigo especial com dados atuais sobre o câncer cervical, uso do Papanicolaou e da Captura Híbrida, com todas as referências. Como utilizar os conhecimentos e recursos atuais para se evitar o câncer do colo uterino? Continua o dilema. Potencial impacto econômico e na saúde com a introdução de vacinas contra o HPV em programas de rastreamento Risco de desenvolver CIN 2/3 em mulheres conizadas e HPV positivas Teste de HPV pode reduzir o número de retornos em mulheres tratadas para CIN 3 Human papillomavirus DNA testing as an adjunct to cytology in cervical screening programs Comparing first-void urine specimens, self-collected Internet pode ajudar no combate a doenças sexuais Campanha alerta para a prevenção do câncer Ovulação pode afetar a eficácia da vacina contra o HPV (05/08/2003) Pesquisa: muitas mulheres ignoram causa do câncer de colo do útero (04/08/03) Obesidade pode dobrar o risco de adenocarcinoma cervical (15/08/03) Imunogenicidade oral através de partículas semelhantes ao HPV expressas em batatas O principal componente do chá verde, EGCG, inibe o crescimento de uma linha celular do câncer cervical DNA-Pap
- novo estudo no México e meta-análise publicada no Archives of
Pathology and Laboratory Medicine reforçam a eficácia de seu uso (24/07/03) Estratégias
de gerenciamento pós-colposcopia para mulheres com LSIL ou DNA-HPV de
Alto Grau positivas e ASCUS, com CIN na colposcopia inicial (Junho de 2003) Stress
e o risco de câncer cervical (Agosto de 2003) Clinical
and economic benefit of HPV-load testing in follow-up and management of
women postcone biopsy for CIN2-3. Human
papillomavirus: epidemiology and public health. Cytologic
detection of human papillomavirus DNA in normal male urethral samples. Inclusão
do teste de DNA-HPV no rastreamento de câncer cervical para mulheres:
resultados de 8.466 pacientes (19/05/2003) Grupo
de medicina preventiva recomenda a triagem anual de infecção por
Chlamydia (19/05/2003) Especialistas
elogiam a aprovação do FDA em relação à nova opção de rastreamento
do câncer cervical (13/05/2003) Outcomes
of screening to prevent cancer: analysis of cumulative incidence of
cervical abnormality and modelling of cases and deaths prevented
(26/04/2003) Pesquisa
confirma relação entre contraceptivos orais e câncer cervical
(03/04/2003) Human
papillomavirus infection in men attending a sexually transmitted disease
clinic (01/04/2003) Risk
factors associated with genital warts in HIV-positive Brazilian women
(02/2003) E
também orientações sobre a coleta.
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