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O
Papilomavírus Humano ou HPV é um vírus que infecta células
epiteliais da
pele e da mucosa, causando diversos tipos de lesões como
a verruga comum e a verruga genital. A infecção por
alguns
tipos de HPV, considerados de alto risco oncogênico, está
relacionada à transformação neoplásica de células epiteliais, sendo
o principal fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo
uterino. |

Microscopia
Eletrônica do
HPV |
|
É
um vírus icosaédrico, não envelopado e com ácido nucleico
constituído de DNA de dupla-fita, circular, com cerca de 8000 pares de
bases. Existem cerca de 100 tipos virais de HPV descritos até o momento
e destes, aproximadamente 30 são encontrados no trato ano-genital. |
Os
HPVs ou Papilomavírus humanos
compõem uma família de vírus com mais de 100 tipos. Alguns deles
causam verrugas pelo corpo, outros infectam a região ano-genital. No
colo uterino, podem ocasionar lesões que se não tratadas, têm
potencial de progressão para o câncer. Estudos mostram que
99% das mulheres que têm câncer de colo uterino foram antes
infectadas por estes vírus.
Os
18 tipos virais que mais infectam o trato ano-genital são
classificados em dois grupos:
·
Baixo
Risco:
vírus que não levam ao desenvolvimento de câncer. São os tipos 6,
11, 42, 43 e 44.
·
Intermediário
e Alto Risco:
vírus que podem levar ao desenvolvimento do câncer. São os tipos
16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68.
Estudos
revelam que: a infecção genital por HPV é a doença sexualmente
transmissível viral mais freqüente, a incidência tem pico ao redor
dos 20 anos e diminui com a idade. Das mulheres infectadas: 80% não
apresentam sintomas clínicos e, em cerca de 60 a 70% dos casos, a
infecção regride espontaneamente. Somente em 14% progridem até
lesões intra-epiteliais. A persistência da infecção por HPV de
alto potencial oncogênico é fator de risco para desenvolvimento do
câncer cervical.
Além
do tipo viral, a progressão das lesões até o câncer parece
depender de outros fatores como idade da primeira relação sexual,
número de parceiros sexuais, fumo, uso de contraceptivos orais,
eficiência da resposta imunológica, fatores genéticos e,
recentemente, obesidade e stress.
Estima-se
que mais de 70% dos parceiros de mulheres com infecção cervical por
HPV e/ou lesões no colo do útero, precursoras do câncer, são
portadores desse vírus. A maior parte dos homens infectados não
apresentam quaisquer sintomas clínicos.
A
principal via de transmissão do HPV genital é através do contato
sexual. A transmissão pode ocorrer após uma
única relação sexual com um(a) parceiro(a) infectado(a).
Gestantes infectadas pelo HPV podem transmitir o vírus para o feto
durante a gestação ou no momento do parto. Embora o DNA do HPV já
tenha sido encontrado em sabonetes, toalhas e instrumental
ginecológico não esterilizado, esta via de transmissão, na
prática, é bastante questionada.
O
diagnóstico da infecção por HPV leva em conta os dados da
história, exame físico e exames complementares com a pesquisa direta
do vírus ou indiretamente através das alterações provocadas pela
infecção nas células e no tecido. Dentre as técnicas utilizadas
para o diagnóstico podem-se citar:
·
Papanicolaou:
É o exame preventivo mais comum. Ele não detecta o vírus, mas, sim,
as alterações que ele pode causar
nas células.
·
Colposcopia
e Peniscopia:
Exame feito por um aparelho chamado colposcópio, que aumenta o poder
de visão do médico, permitindo identificar as lesões em vulva,
vagina, colo do útero, pênis e região anal.
·
Biópsia:
É a retirada de um pequeno pedaço de tecido doente para análise das
alterações celulares sob o microscópio.
·
Captura
Híbrida: É o exame
mais moderno para fazer o diagnóstico do HPV. Teste de hibridização
molecular que detecta, com alta sensibilidade e especificidade,
o DNA dos HPV em amostra de escovado ou biópsia do trato genital
inferior, definindo o tipo e a quantidade viral.
Mulheres
positivas para o teste de HPV mas com citologia normal não devem ser
imediatamente referidas para colposcopia, a menos que haja outra
indicação clínica. Considerando a comum natureza transitória da
maioria das infecções de HPV, a resposta clínica mais apropriada é
retestar a persistência do HPV após 1 ano. Mulheres com ASCUS e HPV
negativas devem ter a citologia repetida em um ano, enquanto que
aquelas com ASCUS e HPV positivo, são melhor controladas pela
avaliação colposcópica.
Os
tratamentos têm por objetivo reduzir ou eliminar as lesões causadas
pela infecção. A forma de tratamento depende de fatores como idade
da paciente, tipo, extensão e localização das lesões, e pode ser
cirúrgico, tópico ou medicamentoso.
Estão
sendo realizadas pesquisas para o desenvolvimento de vacinas contra os
HPV. Porém, estas devem demorar para ficar disponíveis à
população.
Sendo
uma doença sexualmente transmissível (DST), recomenda-se a
avaliação e o tratamento do parceiro sexual, o uso do preservativo e
o esclarecimento quanto ao potencial oncogênico das lesões. Como
ainda não existem métodos para erradicar o vírus da região
ano-genital e devido à possibilidade de ocorrerem recidivas, é
importante o acompanhamento médico após o tratamento.
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|
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Histórico
- HPV e lesões genitais
A
verruga genital é
conhecida desde a antiguidade por gregos e romanos, sendo
considerada como uma doença venérea. Foi denominada de
condiloma acuminado (do grego kondilus
= côndilo e do latim acuminare
= tornar pontudo), termo utilizado até hoje.
Evidências
sobre sua etiologia viral foram descritas no início do século XX por
CIUFFO que, ao inocular um filtrado acelular produzido a partir de
verrugas genitais, observou o aparecimento de lesões na pele.
Através
da microscopia eletrônica, no final da década de 60, detectaram-se
partículas virais com morfologia típica de papilomavírus em espécime
de verruga genital, identificando-o como o agente etiológico do
condiloma e no início dos anos 70, observou-se, em estudo epidemiológico,
que a transmissão do papilomavírus humano (HPV) ocorria
provavelmente por contato sexual e com período de incubação variável
entre 3 semanas a 8 meses.
Ainda
nesta época, as lesões verrucosas eram reconhecidas acometendo a
região genital externa e raramente eram identificadas na cérvix
uterina ou na vagina. Somente na segunda metade dos anos 70, foram
apresentados estudos demonstrando os aspectos citológicos, colposcópicos
e histopatológicos da infecção
pelo HPV no trato genital feminino e começou-se a aventar a hipótese
de que as lesões no colo, provocadas pelo HPV, seriam passíveis de
transformação maligna.
Em
1981 foram publicados os primeiros relatos sobre a detecção, por
hibridização molecular, do DNA-HPV em células neoplásicas do trato
genital.
Devido
à detecção de apenas tipos específicos de HPV nas neoplasias
cervicais de alto grau, originou-se o conceito de que havia vírus de
baixo, intermediário e alto potencial oncogênico.
Em
1995, a IARC e a OMS consideraram o HPV 16 e 18 como os agentes etiológicos
do carcinoma escamoso do colo e, em 1996, a conferência de consenso
realizada pelo Instituto Nacional do Câncer dos EUA enfatizou que o câncer
cervical, em todos os
casos, é o primeiro tumor sólido essencialmente vírus induzido.
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Epidemiologia
A
infecção genital por HPV é a doença sexualmente transmissível viral
mais freqüente;
-
A
prevalência do DNA/HPV, segundo a técnica de PCR, tem variado entre 30 a
50% nas populações femininas do mundo;
-
A
incidência da infecção
pelo HPV diminui com a idade, observando-se seu pico ao redor dos 20 anos;
-
80%
das mulheres infectadas não apresentam sintomas clínicos;
-
Em
cerca de 60 a 70% dos casos, a infecção regride espontaneamente e
somente 14% progridem até lesões displásicas;
-
A
persistência da infecção por HPV de alto potencial oncogênico é fator
de risco para desenvolvimento do câncer cervical;
-
5
a 10% das mulheres com mais de 35 anos apresentam infecção persistente
por vírus de alto risco oncogênico.
No
Brasil, a estimativa do Instituto Nacional do Câncer (INCA) para
a incidência e mortalidade por câncer do colo uterino para o ano de 2003
é de cerca de 16.480 casos novos e cerca de 4.110 óbitos. Estes
números correspondem as taxas brutas de incidência e mortalidade de
18,32/100.000 e de 4,58/100.000, respectivamente.
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Transmissão
-
A
principal via de transmissão do HPV é através do contato sexual. A
transmissão pode ocorrer após uma
única relação sexual com um parceiro infectado.
-
Acredita-se
que a transmissão também possa ocorrer, mas com pouca freqüência,
através de toalhas, roupas íntimas, material ginecológico não
esterilizado, etc.
-
Gestantes
infectadas pelo HPV podem transmitir o vírus para o feto durante a
gestação ou no momento do parto.
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HPV
na Mulher e o Câncer de Colo Uterino
A
maior parte das mulheres infectadas pelo
HPV não apresentam sintomas clínicos e em geral a infecção
regride espontaneamente sem nenhum tipo de tratamento. Entretanto, em
alguns casos, a infecção provoca o aparecimento de lesões benignas
como a verruga genital ou
de lesões que se não
tratadas a tempo podem levar ao câncer de colo uterino. Um dos
fatores de risco para o desenvolvimento do câncer é o tipo de HPV
responsável pela infecção. Os tipos virais são classificados em
dois grupos:
-
Baixo
Risco:
Não oncogênicos, não levam ao desenvolvimento de câncer. Podem
causar lesões verrugosas
e neoplasia intra-epitelial grau I - NIC I. (Tipos virais: 6, 11, 42,
43 e 44);
-
Intermediário
Risco/ Alto Risco:
São oncogênicos e podem levar ao desenvolvimento do câncer.
Provocam o surgimento de neoplasias intra-epiteliais de grau II e III
(NIC II e NIC III) e
carcinoma invasor. (Tipos virais: 16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52,
56, 58, 59, 68).
Além
do tipo viral, a progressão das lesões até o câncer parece
depender de outros fatores como a idade da primeira relação e o número
de parceiros sexuais, o fumo, a ingestão de contraceptivos orais, a
eficiência da resposta imunológica e de fatores genéticos. Recentemente,
pesquisas encontraram também como fator de risco para o
desenvolvimento do câncer cervical, a obesidade e o stress.
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Diagnóstico
do HPV na Mulher
O
diagnóstico da infecção por HPV pode ser realizado de duas formas:
pela pesquisa direta do vírus ou indiretamente através das alterações
provocadas pela infecção nas células e no tecido. Dentre as técnicas
utilizadas para o diagnóstico podemos citar:
-
Citologia
oncológica cérvico-vaginal ou Papanicolaou:
É o exame de rotina utilizado para
detectar alterações celulares provocadas pelo HPV. Por ser
analisada apenas uma amostra de células do colo e da vagina, este
exame não confere um diagnóstico definitivo.
-
Colposcopia:
Exame que evidencia a presença de lesões clínicas e sub-clínicas no
colo uterino e vagina através de uma lente de aumento e da adição
de algumas substâncias como o ácido acético e lugol.
-
Histopatologia:
É a análise microscópica de um fragmento do tecido proveniente da
lesão. É imprescindível no diagnóstico de HPV, pois permite
relacionar o efeito citopático do vírus (coilocitose) e a lesão
epitelial proliferativa ou neoplásica.
-
Teste
de Hibridização Molecular por Captura Híbrida:
Detecta com alta sensibilidade e especificidade o DNA/HPV
em amostra de escovado ou biópsia do trato genital inferior,
definindo o tipo e a carga viral.
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HPV
no Homem
A
prevalência da infecção pelo HPV na população masculina é
significativa. Entretanto, a maior parte dos homens infectados não
apresentam sintomas clínicos.
Quando
presentes, as lesões provocadas pelo HPV podem apresentar diferentes
aspectos e localizam-se principalmente no pênis. A infecção sub-clínica
é a forma mais freqüente e caracteriza-se pela presença de lesões
visíveis somente após a aplicação de ácido acético e com o auxílio
de magnificação óptica.
A
relação entre o HPV e o câncer na genitália externa masculina não
está completamente esclarecida. O HPV , em especial o 16,
parece estar relacionado em 30 a 50% dos casos de câncer de pênis
que, no entanto, é uma neoplasia pouco freqüente. Não há evidências
entre a relação do câncer de próstata ou bexiga e o HPV.
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Diagnóstico
do HPV no Homem
O
diagnóstico da infecção pelo HPV no homem leva em conta a anamnese,
o exame físico e exames complementares como a peniscopia, a
histolopatologia e a hibridização molecular.
-
Peniscopia:
Exame realizado com o auxílio de uma lente de aumento, após a aplicação
de ácido acético a 5% e/ou azul de toluidina a 1 %. É um método
com alta sensibilidade, mas baixa especificidade, pois a maior parte
das lesões evidenciadas não
apresentam HPV.
-
Histopatologia:
As lesões detectadas pela peniscopia são biopsiadas e submetidas ao
exame histopatológico. Através do exame microscópico do tecido, é
possível identificar as alterações celulares características da
infecção pelo HPV, diferenciando-as das lesões de origem inflamatória,
infecciosa ou tumoral.
-
Hibridização
molecular por Captura Híbrida:
é um método não invasivo, altamente específico e, segundo estudo
recente, muito mais sensível que o exame histopatológico na detecção
do HPV em homens (Nicolau et al., 2000). Permite a determinação do
tipo e da carga viral.
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Teste
de Captura Híbrida para HPV
A
Captura Híbrida para HPV é
um teste de metodologia extremamente avançada que utiliza-se das técnicas
de biologia molecular para a detecção do DNA viral. O teste tem por
princípio a hibridização de sondas específicas de RNA ao DNA/HPV.
Os híbridos formados são capturados
em uma microplaca por anticorpos anti-DNA/RNA e a reação é
amplificada por um conjugado, anticorpo-enzima. Um substrato
quimioluminescente é
utilizado para revelar a reação que é medida em unidades de luz
relativa (RLU). Valores de RLU/Cutoff
maiores ou iguais a 1 indicam a presença de DNA/HPV.
Características:
-
Detecção
de 18 tipos de HPV mais comuns no trato anogenital de acordo com o
risco oncogênico. Sondas de RNA para grupo A ou de baixo risco oncogênico
(6, 11, 42, 43 e 44) e para grupo B, HPV de intermediário/alto risco
oncogênico (16,18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68).
-
Sensibilidade
para detecção de 1pg/ml de DNA-HPV, equivalente a 0,1 cópia viral/célula
. Por essa sensibilidade, estudos têm mostrado estreita relação
entre os resultados e a evolução clínica.
-
Único
teste aprovado pelo FDA nos EUA e pelo Ministério da Saúde do Brasil
para uso clínico.
O
teste de Captura Híbrida é feito a partir de amostras de escovado ou
biópsia de lesões do colo, vagina, vulva, região perianal, uretra e
pênis.
Indicações
para o teste de Captura Híbrida
-
Exame
colpocitológico denotando ASCUS (atipia escamosa de significado
indeterminado) ou AGUS (atipia glandular de significado
indeterminado);
-
Monitoramento
terapêutico;
-
Lesão
colposcópica incaracterística;
-
Discordância
cito, colpo e histopatológica;
-
Controle
de qualidade em citologia e anatomia patológica.
Importância
do teste de Captura Híbrida
O
teste de Captura Híbrida para HPV representa uma nova forma de
rastreamento do câncer cervical e seus precursores. A utilização
desta nova metodologia permite maior acurácia no diagnóstico,
complementando os resultados obtidos através de exames citológicos e
histopatológicos que apresentam resultados falso-positivos e
falso-negativos:
-
Resultados
falso-positivos:
Exames de citologia oncológica cervico-vaginal revelam cerca
de 10 a 30% de resultados falso-positivos. Isto ocorre devido a falhas
de coleta, a alterações
morfológicas nem sempre características e devido a subjetividade
deste diagnóstico (Dôres et al., 1999)
-
Resultados
falso-negativos:
Variam entre 20 a 30% e considerável percentagem de mulheres com lesão
de alto grau e câncer invasor do colo têm resultado citológico
negativo ou de atipias de significado indeterminado
(Dôres et al. 1998; Ferenczy, 1999).
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Tratamento
O
tratamento tem por objetivo reduzir ou eliminar as lesões causadas
pela infecção A forma de tratamento depende de fatores como a idade
da paciente, o tipo, a extensão e a localização das lesões,
Formas
de tratamento:
-
Agentes
Tópicos:
São substâncias aplicadas sobre as lesões . Ex:
ácido tricloroacético, 5-fluorouracil, podofilina,
podofilotoxina;
-
Imunoterapia:
Consiste na utilização de substâncias que estimulam o sistema
imunológico no combate à infecção. Ex: imiquimod , retinóides,
interferon;
-
Cirúrgico:
A remoção da lesão pode ser feita através de um processo cirúrgico.
Ex: curetagem, excisão com tesoura, excisão por bisturi, conização
com bisturi, excisão por cirurgia de alta freqüência, laserterapia;
-
Homeopatia:
Apesar da utilização de Thuya
occidentalis com índice referido de cura considerável, faltam
estudos científicos para comprovação de sua eficácia; recomenda-se
a avaliação e tratamento do parceiro sexual, o uso do preservativo
enquanto persistirem lesões clínicas e o esclarecimento ao paciente
quanto ao potencial oncogênico das lesões. Como ainda não existem métodos
para erradicar o vírus da região ano-genital e devido à
possibilidade do aparecimento de recidivas, é importante o
acompanhamento médico pós-terapêutico.
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Prevenção
do câncer de colo uterino
-
Preservativo:
O uso do preservativo é recomendado principalmente para os indivíduos
que nunca tiveram contato com o HPV;
-
Vacinas:
No momento estão em fase de pesquisa e, de acordo com os resultados,
podem se tornar um importante meio de prevenção;
-
Diagnóstico
e Tratamento Precoces:
O diagnóstico e o tratamento das lesões precursoras do câncer de
colo uterino são as principais formas de prevenção. Em geral, as
lesões provocadas pela infecção não causam sintomas como
corrimento, sangramento, ardor ou prurido e por esta razão são
detectadas apenas através do exame médico. Assim,
recomenda-se consultar regularmente o ginecologista e a realização
de exames preventivos.
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Teste
de Captura Híbrida para HPV - Guia
de Orientação para Coleta

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Respostas
às perguntas
mais freqüentes:
Pelo
Prof. Dr. Sérgio Mancini Nicolau
Qual
a segurança do exame?
R:
Como
os exames de Captura Híbrida são provenientes de técnica de
hibridização molecular com sondas de RNA de cadeia longa, associada
a anticorpos monoclonais, há altíssima especificidade aos antígenos
pesquisados. Além disso, devido à presença de sondas para 13 tipos
virais de Intermediário/Alto Risco (Grupo
B=
16, 18, 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58, 59 e 68) que correspondem
a 99% dos que mais infectam o trato genital inferior e 5 tipos virais
de Baixo Risco (Grupo
A=
6, 11, 42, 43 e 44) que são 70% dos que mais infectam o trato genital
inferior, o método denota possuir eficácia superior ao Papanicolaou
e sensibilidade equivalente a métodos de amplificação gênica sem
os riscos de contaminação que existem nestes.
Por
que devo solicitar a pesquisa do HPV?
R:Nos
últimos anos foram realizados diversos estudos que demonstraram a
utilidade dos testes de pesquisa de HPV. Dentre esses se podem citar:
a) Estudos de caso-controle estabelecendo que a maioria de mulheres
com NIC têm o DNA do HPV;
b) A detecção do HPV aumenta no mínimo 10 vezes o risco de
neoplasia cervical;
c) a proporção de NIC atribuída à infecção de HPV é ao redor de
90%;
d) A detecção de HPV em mulheres com Papanicolaou normal aumenta o
risco de aparecimento futuro de NIC;
e) O risco da progressão das lesões-induzidas está associado com o
tipo viral;
f) Diversos estudos clínicos usando detecção de DNA-HPV, com ou sem
repetição da citologia, demonstraram que mais que 90% dos casos de
ASCUS apresentavam lesões de alto grau, tornando desnecessário a
realização de colposcopia e tratamento entre 38% a 60% das vezes;
g) O DNA-HPV testado com a tecnologia da Captura Híbrida, utilizando
resíduos celulares através de citologia líquida, parece ter o maior
custo-benefício. Se a citologia e a Captura Híbrida forem negativas,
o valor preditivo negativo é de aproximadamente 100%.
Quais
as indicações do teste?
R:1.
Discordância colpo-cito-histológica
2. ASCUS e AGUS
3. Indicação de tratamento nas lesões de baixo grau
4. Controle terapêutico
5. Rastreamento do câncer cervical
6. Pesquisa no parceiro sexual
Quais informações o laudo traz?
R:
O laudo de Captura Híbrida traz três importantes informações:
presença ou ausência de DNA/HPV,
Tipos Virais (Grupo
A= Baixo Risco
e/ou Grupo B=
Intermediário/Alto Risco) e medida semi-quantitativa da carga viral
encontrada na amostra (valores das relações RLU/PCA e RLU/PCB).
Há
uma relação expressa no resultado, RLU/PCA e RLU/PCB. O RLU
significa unidade relativa de luz do espécime testado. Por sua vez,
PC é a leitura dos controles positivos; "A" para a sonda de
baixo risco e "B" para a de alto. O resultado será positivo
quando a relação for maior ou igual a 1.
Como
pode-se
classificar a carga viral em relação ao HPV?
R:
A questão
da carga viral ainda está em aberto. Vínhamos utilizando os valores
de 1 a 50, 51 a 200 e acima de 200 (RLU/PC) como níveis baixo,
intermediário e alto. Por sugestão do Dr. Attila Lörincz, baseada
em trabalhos recentes, passamos a utilizar os valores de intervalos
entre 1 e 10, 10 e 100, 100 e 1000 e maiores que 1000 para definir os
níveis de infecção como baixo, intermediário, alto e muito alto.
Com que freqüência deve-se realizar o exame?
(Para
acessar as principais recomendações, clique aqui)
R:
Antes dos 30 anos, existe a recomendação de se realizar um
exame citológico após 3 anos do início das atividades sexuais ou
aos 21 anos, o que ocorrer primeiro. Caso
haja alguma evidência ou suspeita de alteração citológica, o
médico poderá estar solicitando o exame de DNA-HPV. Após os 30
anos, segundo aprovação recente do FDA (Food and Drug Administration),
pode-se realizar o exame de DNA-HPV para rastreamento primário do
câncer cervical associado ao exame citológico (Papanicolaou).
As
pacientes HPV negativas ou com duas citologias anuais consecutivas
normais, podem realizar novo exame após três anos.
Isso porque a possibilidade de nova infecção é de 0,5% ao ano, como
demonstra a literatura;
Após
os 70 anos, caso haja três citologias negativas/normais, documentadas
e consecutivas, não havendo citologia anormal ou positiva nos
últimos dez anos, pode-se cessar o rastreamento.
Em
pacientes HIV positivas, o exame talvez deva ser realizado com maior
freqüência, em intervalos de tempo mais curtos.
Quando
é detectada a presença de DNA viral, deve-se avaliar:
Þ
carga viral baixa: repetir o exame em 3 a 6
meses, pois pode se tratar de início ou término de infecção.
Cerca de 60% a 70% das infecções regridem espontaneamente em alguns
meses.
Þ
carga viral intermediária: acompanhamento clínico da infecção,
através da determinação do tipo viral envolvido (A=
Baixo Risco e/ou
B= Alto Risco) e segundo julgamento médico pode-se definir
conduta intervencionista ou expectante. Repetição do exame em 6
meses ou após término do tratamento;
Þ
carga viral alta/muito alta: recomenda-se intervenção terapêutica e repetição
do exame após 6 meses;
Pode-se realizar o exame durante o período menstrual ?
R:
NÃO. Durante a menstruação a colheita irá proporcionar grande
quantidade de células sanguíneas, células epiteliais superficiais e
muco, que são inadequados para o exame.
Assim, embora apenas a presença de pequena quantidade de
sangue não afete o resultado do exame, deve-se atingir as células
basais do epitélio para obter uma amostra ideal.
É obrigatória a abstinência sexual antes da coleta do exame e por
quanto tempo ?
R:
SIM.
É necessária abstinência sexual de pelo menos 2 (dois) dias antes
da coleta do exame, pois escoriações provocadas pelo ato sexual, a
presença de sêmen, substância espermicida ou outras substâncias
podem tornar o material colhido inadequado para o estudo.
Pode-se realizar uma coleta única de colo, vagina e vulva?
R:
SIM.
Inicia-se a coleta pela vulva, com o auxílio de uma escova de
colheita de citologia. Faz-se o escovado introduz-se o material no
frasco coletor. Após agitar a escova no líquido conservante para
desprender as células, ela deve ser desprezada. Com a escova do Kit,
colher o material do canal endocervical, ectocérvice e vagina e
introduzir no frasco coletor. Esta escova deve permanecer no frasco
coletor e o material é então encaminhado para análise. Importante:
após introduzir a escova no líquido conservante, esta não deve mais
ser utilizada para coleta pois o conservante contém substâncias
irritantes à pele e à
mucosa.
A coleta de material para Captura Híbrida pode ser feita após o
exame de colposcopia ou peniscopia?
R:
NÃO. Se for realizada no mesmo dia do exame de colposcopia ou
peniscopia, a coleta para Captura Híbrida deve ser realizada antes da
aplicação de ácido acético, iodo ou azul de toluidina.
A
infecção por HPV sozinha pode induzir imediatamente a formação de
um carcinoma?
R:
A infecção de HPV sozinha não é suficiente para induzir
imediatamente um carcinoma, pois, os tumores malignos aparecem somente
depois que as lesões induzidas pelo HPV persistem por diversos meses
ou mesmo anos.
A progressão da infecção a um tumor é facilitada por mutagênos
químicos ou físicos que podem afetar as funções tanto do vírus
como da célula infectada. Após a infecção pelo HPV, os eventos no
ciclo de vida viral são iniciados, com a atividade específica
regulada pelos fatores responsáveis pela resposta imune do
hospedeiro.
Caso
uma pessoa que mantenha relações com um único parceiro(a),
apresente condilomas (verrugas) após 10 anos de união, é possível
que um ou ambos já estivessem infectados antes do início do
relacionamento e o vírus só tenha se manifestado após esse
período?
R:
Sim, pois a infecção pode ficar em latência por até duas décadas.
Considerando
uma mulher, cujo diagnóstico para HPV foi positivo durante alguns
anos (3 anos, por exemplo) e que chegou a passar por tratamento por
ter apresentado lesões de alto grau e que teve, após esse período,
o diagnóstico negativo: ela pode se considerar curada, enquadrando-se
na mesma rotina de exames de outra mulher que sempre foi HPV
negativa?
R:
Sim, vida
normal caso a infecção tenha sido resolvida. Caso não, avaliação
periódica pelo seu médico em intervalos que podem variar de seis a
doze meses. Em todos os casos, resolvidos ou não, se não existir
relação conjugal fixa, usar preservativo para proteção sua ou
do(a) parceiro(a).
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