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As
clamídias possuem parede celular similar a das bactérias gram negativas.
Possuem tanto DNA como RNA, entretanto são obrigatoriamente
intracelulares, pois são incapazes de sintetizar ATP.
Apresentam duas formas morfologicamente distintas: o corpo
elementar que é a forma
infectante e de sobrevida extracelular limitada e o corpo reticulado que
é a forma metabolicamente ativa e obrigatoriamente intracelular. O seu
genoma é relativamente pequeno sendo constituído por cerca de 1 x 106
pares de bases. As
manifestações clínicas são determinadas pelo mecanismo de transmissão
e pela propriedade da cepa infectante. Epidemiologicamente as infecções
por Chlamydia trachomatis
dividem-se em 3 categorias: tracoma clássico, doenças sexualmente
transmissíveis e infecções perinatais oculares. No trato genital a infecção, está associada a patologias como a uretrite, cervicite, endometrite, salpingite, doença inflamatória pélvica, linfogranuloma venéreo e a Síndrome de Reiter. A clamídia é considerada a principal causa de infertilidade em mulheres e muitas vezes não é acompanhada de nenhum outro sintoma que permita o seu diagnóstico. Atualmente
os métodos mais utilizados para diagnóstico da clamídia são a
imunofluorescência e o ensaio imunoenzimático que, entretanto,
apresentam baixa sensibilidade (70-85%) quando comparados à cultura de células.
Uma nova proposta é a utilização do método de detecção do ácido
nucleico através do sistema de Captura Híbrida que apresenta como
vantagens alta sensibilidade (97,7-100%) e especificidade (98,7-99,5%), além
da possibilidade do exame ser realizado em amostras de urina, o que torna
o exame menos desagradável ao paciente. Existem 15 sorotipos dessa bactéria. A tabela abaixo mostra a relação entre os sorotipos, o sexo acometido e as doenças causadas:
A
gonorréia é uma doença sexualmente transmissível comum em várias
partes do mundo principalmente em países subdesenvolvidos. Seu agente
etiológico, a Neisseria
gonorrhoeae, caracteriza-se por ser um diplococo gram negativo, imóvel,
catalase e oxidase positivos. No
homem, a infecção é em geral sintomática, na forma de uretrite aguda,
podendo evoluir para prostatite, epididimite e abscesso
peri-uretral. Na mulher a infecção é assintomática em 80% dos
casos, sendo a cervicite mucopurulenta o sintoma mais freqüente. Até 20%
das mulheres evoluem para doença inflamatória pélvica crônica com
endometrite, salpingite, abscessos tubo-ovarianos e peritonite. Pode
ocorrer também a infecção congênita, com a transmissão do gonococo
durante o parto, sendo a conjuntiva o local mais afetado.
As complicações sistêmicas envolvem as artrites e dermatites e
em casos mais raros, meningite osteomielite e endocardite.
O
diagnóstico, em geral, é feito através do esfregaço direto de secreções
corado pelo método de gram com visibilização de diplococos
gram-negativos ou através do crescimento bacteriano em meio de cultura. A
sensibilidade destes métodos em secreção uretral de homens sintomáticos
apresenta-se em torno de 95 a 99%, entretanto
em secreção endocervical a sensibilidade é bem menor (40-60%). A eficiência
do diagnóstico através da cultura é
ainda afetada quando
é necessário o transporte do material. O
teste de detecção para gonococos através do sistema de Captura Híbrida
tem por vantagens além de
alta sensibilidade (93%) e
especificidade (98,5%), a
possibilidade de oferecer o resultado em poucas horas (4hs),
permitindo o início precoce do tratamento.
·
Chlamydia
trachomatis (CT) ·
Neisseria
gonorrhoea (GC) ·
Screening
Chlamydia
trachomatis e/ou Neisseria gonorrhoea (CT e/ou GC)
Metodologia: Detecção do DNA bacteriano por hibridização molecular em microplaca e leitura por quimioluminescência. Sensibilidade: 1pg/ml de DNA(CT ; GC ; CT e/ou GC) Indicações: Uretrite/Cervicite
Rastreamento
de pacientes assintomáticas Infertilidade Controle
terapêutico
Orientações ao Paciente: Homem 1. É
necessária abstinência sexual de pelo menos 3 dias; 2. Ficar
sem urinar pelo menos 1 hora antes do exame; Mulher 1.
Não estar menstruada ou
fazer uso de ducha, creme ou pomada vaginal; 2.
É necessária abstinência sexual de 3 dias.
Coleta: Homem 1.
Colher de 20 a 30 ml do primeiro jato de
urina em recipiente estéril (tubo cônico) e sem conservante. 2.
Manter a urina à temperatura de 4-8°C até o momento da análise
que deve ser realizada em até 4 dias após a coleta. Mulher A
coleta deve ser realizada com kit coletor Digene, composto por uma escova
cervical e um tubete com solução conservante. 1. Não
efetuar exame digital (toque), colposcopia ou assepsia prévia; 2. A
presença de sangue (não menstrual) ou de conteúdo vaginal alterado não
influi no resultado; 3. Se
houver necessidade da coleta de citologia na mesma consulta, esta deve ser
realizada em primeiro lugar; 4. Remover
o excesso de muco ao redor do orifício externo e da ectocérvix com algodão
ou gaze; 5. Introduzir
1 a 1,5cm da escova no canal cervical e rodá-la 3 vezes no sentido
horário; 6. Imediatamente
inserir a escova no tubete, dentro da solução tampão; 7. Quebrar
a haste da escova e fechar o tubete e agitá-lo durante 30 segundos para
homogeneizar a amostra; 8. Identificar
o tubete. O material é estável por até 15 dias à temperatura ambiente.
O
Citomegalovírus (CMV) é atualmente considerado um dos principais patógenos
que afetam o ser humano. Suas manifestações clínicas possuem espectro
extremamente amplo, sendo considerado como uma das principais causas de
morbidade e mortalidade em pacientes imunocomprometidos. O
risco de infecção por este agente começa na vida intra-uterina (infecção
congênita transplacentária) e persiste durante o nascimento (infecção
perinatal, durante o parto ou amamentação) e período pós-natal (infância
ou fase adulta) como infecção adquirida por via respiratória, oral, venérea,
transfusão sanguínea e por transplante de órgãos. O vírus é endêmico em todo o mundo e suas taxas de soro-prevalência variam entre 40 a 100% dependendo do nível sócio-econômico das comunidades estudadas. O CMV é encontrado em praticamente todos os líquidos e secreções do organismo, assim sua maior ou menor transmissão depende em grande parte das condições de higiene, moradia e hábitos de cada população. A maioria das infecções evoluem de forma assintomática, mas quando sintomáticas as manifestações clínicas são amplas, variando de apresentação e gravidade de acordo com a idade e o estado imunológico do paciente. As
manifestações são mais comuns em imunodeprimidos, portadores de AIDS,
em pacientes pós-transplantes, pacientes no pós-operatório de cirurgias
cardíacas e em portadores de neoplasias. O quadro que a infecção pelo CMV apresenta é semelhante ao observado na mononucleose infecciosa, com sintomas pulmonares, gastro-intestinais ou neurológicos, febre, alterações hepáticas, linfadenopatia, leucopenia e/ou trombocitopenia. O período de incubação após a infecção é de 4 a 12 semanas, quando o antígeno já pode ser detectado. Após este período ocorre a fase aguda da doença, onde o vírus é encontrado em secreções corporais, o que pode continuar por toda a vida. Logo no início desta fase aparecem anticorpos da classe IgM e uma semana mais tarde os da classe IgG. O
vírus, após a infecção primária, persiste no organismo de forma
latente, e sua viremia se mantém em níveis reduzidos. Esta latência,
como nos demais vírus do grupo herpes, pode permanecer por toda a vida ou
ainda apresentar um ou mais episódios de reativação. A imunidade
desenvolvida se mantém por toda a vida, mas o vírus volta a replicar
caso haja queda das defesas por fatores exógenos ou endógenos. Em
pacientes imunodeprimidos a infecção secundária pode ser induzida por vírus
exógenos. Em gestantes, a infecção primária durante este período é muito mais danosa ao feto do que sua reativação. Estatisticamente, de 1 a 2% das mulheres grávidas desenvolvem infecção primária durante a gestação e, dentre elas, a infecção fetal ocorre em 30 a 50% dos casos. A reativação ocorre em 5 a 15% das gestações, com infecção fetal em cerca de 10% dos casos. No total, a infecção congênita pelo CMV ocorre em 1% dos fetos e apenas 5 a 10% destes desenvolvem sintomas clínicos. A presença, no feto, de anticorpos maternos não lhe confere proteção à infecção congênita. A
infecção congênita pode levar a lesões cerebrais, oculares,
hepato-esplênicas com diferentes graus de gravidade (forma aguda e
subaguda). No neonato pode ocorrer durante o parto por contaminação no
trajeto vaginal ou ainda pelo leite durante o período de amamentação. Teste
de Captura Híbrida para CMV Metodologia:
Detecção do DNA viral através de hibridização molecular em microplaca e leitura por quimioluminescência.
Sensibilidade de 2,1 pg/ml,
equivalente 5 X 104 genomas/ml.
O teste pode ser qualitativo ou quantitativo. Indicações
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